IBM0288 - 2026.2
Quando \(\beta_1\) pode ser interpretado como efeito causal médio de \(X\) sobre \(Y\)?
\(X\) precisa ser independente de outros fatores que afetam \(Y\)
Isso acontece para dados experimentais!
Não será sempre verdadeiro para dados observacionais!
\[E[u_i\mid X_i]=0; \operatorname{corr}(X_i,u_i)=0\]
\((X_i,Y_i)\), \(i=1,\dots,n\), são independentes e identicamente distribuídos (i.i.d.).
Sem grandes outliers em \(X\) e/ou \(Y\).
Se o objetivo for fazer previsão, incluir variáveis pode aumentar a precisão das previsões.
Se o objetivo for inferência causal, incluir variáveis permite controlar por outros determinantes da variável dependente que levariam a viés.
Aviso
Incluir variáveis aleatoriamente no modelo não é uma boa ideia! A inclusão de controles ruins pode introduzir viés ao invés de eliminá-lo e inviabilizar a identificação de efeitos causais.
O viés de variável omitida (OVB) ocorre quando:
A variável omitida afeta a variável dependente \(Y\), ou seja, ela é parte de \(u\).
A variável omitida é correlacionada com o regressor \(X\) incluído.
\[ \text{TestScore}_i = \beta_0 + \beta_1 \ \text{STR}_i + u_i \]
A omissão de alguma das seguintes variáveis gera viés no modelo?
Imagine um experimento controlado randomizado para medir o efeito dos tamanhos das turmas sobre a nota do teste padronizado.
Nesse experimento, os alunos seriam designados aleatoriamente para turmas que teriam tamanhos diferentes.
Como a atribuição nas turmas seria aleatorizada, todas as características dos alunos seriam distribuídas independentemente do tamanho das turmas
Assim, \(E(u_i\mid STR_i) = 0\): ou seja, a hipótese 1 acima seria válida.
O tratamento não é atribuído aleatoriamente.
Considere o percentual de alunos para os quais inglês não é o primeiro idioma:
Assim, os grupos de “controle” e “tratamento” diferem de forma sistemática, de modo que \(corr(STR,PctEL) ≠ 0\)
Examinando o efeito do tamanho das turmas entre distritos com mesmo \(PctEL\) eliminamos a diferença entre controle (turma grande) e tratamento (turmas pequenas).
Se a única diferença sistemática entre os grupos fosse essa, estaríamos de volta ao experimento controlado randomizado ao fazer a análise dentro de cada grupo de \(PctEL\).
Essa é uma forma de controlar o efeito do \(PctEL\) ao estimar o efeito do \(STR\).
Seja \(\beta_1\) o verdadeiro efeito causal de \(X\) sobre \(Y\) na população e \(\rho_{Xu} = corr(X_i, u_i)\).
Sob essas hipóteses, o coeficiente de MQO será:1
\[ E[\hat{\beta}_1] = \beta_1 + \rho_{Xu} \frac{\sigma_u}{\sigma_X} \]
Importante
O tamanho da amostra não resolve o problema do viés de variável omitida. O estimador \(\hat{\beta}_1\) é viesado e inconsistente quando há OVB.
Regressão Longa: \(Y_i = \alpha^l + \beta^l X_i + \gamma Z_i + e^l_i\)
Regressão Curta: \(Y_i = \alpha^c + \beta^c X_i + e^c_i\)
Efeito tratamento e OVB
A estimativa da regressão curta é igual à da regressão longa mais o efeito da omitida vezes o coeficiente da regressão da omitida na incluída. Ou seja, a regressão curta estima o efeito causal mais o viés.
\[ \begin{aligned} \beta^c =& \frac{Cov(Y_i, X_i)}{Var(X_i)} \\ =& \frac{Cov\color{red}{(\alpha^l + \beta^l X_i + \gamma Z_i + e^l_i}, X_i)}{Var(X_i)} \\ =& \frac{\color{red}{\beta^l Var(X_i) + \gamma Cov(Z_i, X_i) + Cov(e^l_i, X_i)}}{Var(X_i)} \\ = & \color{red}{\beta^l} + \color{red}{\gamma \frac{Cov(Z_i, X_i)}{Var(X_i)}} \\ = & \color{red}{\beta^l} + \color{red}{\gamma \pi_{21}} \\ \end{aligned} \]
onde \(\pi_{21}\) é o coeficiente de \(X_i\) em \(Z_i = \pi_{20} + \pi_{21} X_i + u_i\).
Seja: \(Y\) a variável dependente, \(X\) a variável independente e \(Z\) a variável omitida.
A equação para o viés é dada por: \(E[\hat{\beta}^l] = \beta^l + \gamma \pi_{21}\)
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & & \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & & \end{array} \]
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} & \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & & \end{array} \]
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & & \\ \end{array} \]
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} & \\ \end{array} \]
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} \\ \end{array} \]
No caso de experimentos aleatórios:
\(E(X)\) igual para todo valor de \(X\), independente de outros fatores que afetam \(Y\).
\(E(u)\) não varia com \(X\) → \(corr(X_i,u_i)=0\).
Portanto: a aleatorização de \(X\) elimina viés de variável omitida (e causalidade reversa).
No caso de dados observacionais:
Não há garantia de \(corr(X,u)=0\).
Mas se pudermos observar as variáveis omitidas que afetam tanto \(Y\) quanto \(X\), podemos controlar por elas.
Comparar \(Y\) entre unidades com níveis similares de \(Z\) mas diferentes níveis de \(X\).
O que isso significa intuitivamente?
O percentual de alunos para os quais o inglês é o segundo idioma é positivamente correlacionado com o tamanho médio das turmas!
Qual a direção do viés? Você espera um \(\beta_1\) maior ou menor?
Função de expectativa condicional: \[ E[Y_i|X_{1i}, X_{2i}] = \beta_0 + \beta_1 X_{1i} + \beta_2 X_{2i} \] Modelo de regressão: \[Y_i = \beta_0 + \beta_1 X_{1i} + \beta_2 X_{2i} + u_i\]
\(\beta_1=\frac{\Delta Y}{\Delta X_1}\), mantendo \(X_2\) constante.
Efeito parcial de \(X_1\)
Como interpretar \(\beta_2\)? E \(\beta_0\)?
Função de expectativa condicional: \[ E[Y_i|X_{1i}, X_{2i}] = \beta_0 + \beta_1 X_{1i} + \beta_2 X_{2i} + ...+ \beta_k X_{ki} \]
Modelo de regressão: \[Y_i = \beta_0 + \beta_1 X_{1i} + \beta_2 X_{2i} + ... + \beta_k X_{ki} + u_i\]
Selecionar \(\hat{\beta}_0, \hat{\beta}_1, ..., \hat{\beta}_k\) que melhor ajustem os dados.
Melhor ajuste = minimizar os erros quadrados de previsão:
\[ \arg\min_{b_0, b_1,..., b_k} \sum_{i=1}^n \left( Y_i - [b_0 + b_1 X_{1i} + b_2 X_{2i} + ... + b_k X_{ki}] \right)^2 \]
Modelo de regressão linear: \(\hat Y_i = \hat\beta_0 + \hat\beta_1 X_{1i} + \hat\beta_2 X_{2i} + ... + \hat\beta_k X_{ki} + u_i\)
Os coeficientes de MQO \(\hat\beta_0\),\(\hat\beta_1\),\(\hat\beta_2\),\(...\) e \(\hat\beta_k\) estimam os parâmetros populacionais \(\beta_0\),\(\beta_1\),\(\beta_2\),\(...\) e \(\beta_k\) a partir dos dados da amostra
\(\hat Y_i = \hat\beta_0 + \hat\beta_1 X_{1i} + \hat\beta_2 X_{2i} + ... + \hat\beta_k X_{ki}\): valor previsto de \(Y_i\) com base em \(X_i\)
\(\hat u_i = Y_i - \hat Y_i\): resíduo (estimador do erro \(u_i\))
Com um regressor \((Y_i = \beta_0 + \beta_1 X_i + u_i)\):
\[ \hat\beta_1 = \frac{cov(X,Y)}{var(X)} \]
Com múltiplos regressores \((Y_i = \beta_0 + \beta_1 X_{1i} + \beta_2 X_{2i} + ... + \beta_k X_{ki} + u_i)\):
\[ \hat{\beta}_1 = \frac{cov(\tilde{X}_1, \tilde{Y})}{var(\tilde{X}_1)} \]
\(\tilde{X}_1\): resíduos da regressão de \(X_1\) em todos os outros regressores \((X_2,X_3,...,X_k)\).
\(\tilde{Y}\): resíduos da regressão de \(Y\) em todos os outros regressores \((X_2,X_3,...,X_k)\).
O teorema Frisch-Waugh-Lovell significa que \(\beta_1\) pode ser estimado em 3 passos:
Regredir \(X_1\) em \(X_2\),\(X_3\),\(...\),\(X_k\) e obter os resíduos \(\tilde{X}_1\)
Regredir \(Y\) em \(X_2\),\(X_3\),\(...\),\(X_k\) e obter os resíduos \(\tilde{Y}\)
Regredir \(\tilde{Y}\) em \(\tilde{X_1}\)
Modelo com um regressor: \[ \hat{TestScore} = 698.9 - 2.28 \text{STR} \]
Modelo com controle: \[ \hat{TestScore} = 686.0 - 1.10 \text{STR} - 0.65 \text{PctEL} \]
O que aconteceu com o valor do coeficiente de STR? Por quê?
\[ \begin{array}{l|c|c} & \textbf{Corr}(Z,X) > 0 & \textbf{Corr}(Z,X) < 0 \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) > 0} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} \\ \hline \mathbf{\textbf{Corr}(Z,Y) < 0} & \text{viés p/ baixo }\color{red}{\downarrow} & \text{viés p/ cima }\color{red}{\uparrow} \\ \end{array} \]
\(R^2 = \frac{ESS}{TSS} = \frac{\sum_{i=1}^{n}(\hat Y_i - \bar Y)^2}{\sum_{i=1}^{n}( Y_i - \bar Y)^2} = 1 - \frac{SSR}{TSS}\)
\(R^2\) sempre aumenta com a inclusão de um regressor
\(R^2\) ajustado ou \(\bar R^2 = 1 - \frac{n-1}{n-k-1}\frac{SSR}{TSS}\)
SSR: Soma dos quadrados dos resíduos
\[ SER \;=\; \hat\sigma_u \;=\; \sqrt{\frac{1}{n-k-1}\sum_{i=1}^n \hat u_i^{\,2}} \]
Mede a dispersão dos resíduos em torno da reta.
\(n-k-1\) é chamado de graus de liberdade: um ajuste pelo viés introduzido pelo número de parâmetros estimados
Os regressores \(X_s\) são independentes do erro \(u_i\): \(E(u_i \mid X_{1i},X_{2i}...X_{ki}) = 0\)
\((Y_i,X_{1i},X_{2i}...X_{ki})\), \(i=1,\dots,n\), são independentes e identicamente distribuídos (i.i.d.).
Sem outliers relevantes.
Não há multicolinearidade perfeita.
Exemplo hipotético: o tamanho das turmas \(X_1\) não é correlacionado com o termo de erro somente após controlar pelos recursos financeiros do distrito \(X_2\)
Seja \(X\) o regressor ou tratamento de interesse
\(W_1, W_2, ... W_k\) são as variáveis de controle
Hipótese de independência condicional (CIA):
\[ E(u_i \mid X,W_1,W_2,...,W_3) = E(u_i \mid W_1,W_2,...,W_3) \]
Resumo: \(u\) e \(X\) não são correlacionados após controlar pelos \(W\)’s.
Nem toda variável é uma boa opção para ser incluída como controle
Controles Ruins: variáveis que são afetadas pela variável de interesse \(X\)
Controles Bons: variáveis pré-determinadas em relação à variável de interesse

Objetivo é estimar o efeito tratamento do tamanho das turmas nas notas em exames padronizados (test scores)
Não controlar por aprendizado! Nem por notas regulares (grades), já que são afetadas por aprendizado!
Aprendizado e notas regulares são controles ruins!
Importante
Não controle por nada que seja afetado pelo regressor de interesse!
\[\hat{TestScore_i} = \beta_0 + \beta_1 STR_i +\beta_2 PctEL_i + \beta_3 FracEL_i+u_i\]
\(PctEL_i\): percentual de alunos que estão aprendendo inglês (entre 0 e 100)
\(FracEL_i\): fração de alunos que estão aprendendo inglês (entre 0 e 1)
Multicolinearidade perfeita: exemplo \(PctEL = 100\times FracEL\).
\(\beta_2\) = efeito de aumentar 1 unidade de \(PctEL\) mantendo constante \(FracEL_i\)
Programas estatísticos geralmente eliminam automaticamente uma das variáveis
Duas variáveis indicadoras para sexo de nascimento:
\[ H_i = \begin{cases} 1, & \text{se $i$ é homem}, \\ 0, & \text{se $i$ é mulher}. \end{cases} \]
\[ M_i = \begin{cases} 1, & \text{se $i$ é mulher}, \\ 0, & \text{se $i$ é homem}. \end{cases} \]
\(Y_i = \beta_0 + \beta_1 H_i + \beta_2 M_i + u_i\): não pode ser estimado!
Pode-se estimar:
\(Y_i = \beta_0 + \beta_1 H_i + u_i\)
\(Y_i = \beta_0 + \beta_2 M_i + u_i\)
\(Y_i = \beta_1 H_i + \beta_2 M_i + u_i\)
Se você tem \(K\) variáveis indicadoras em que cada observação cai em uma (e somente uma) categoria, não é possível estimar coeficientes para todas as \(K\) mais o intercepto
Solução padrão: incluir na regressão \(K-1\) variáveis e o intercepto
Também é possível incluir todas as \(K\) variáveis e excluir o intercepto

O uso de celulares e computadores durante as aulas expositivas não é permitido!